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MENINGITE

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O que é a meningite?

A meningite é uma doença causada pela inflamação das meninges, que são as membranas que protegem o cérebro e a medula espinal. Essa inflamação é habitualmente o resultado de uma infeção do líquido que se encontra em torno do cérebro e da medula espinal.

Quando as meninges estão inflamadas pode ocorrer lesão do cérebro ou da medula.

Apesar dos progressos em termos de tratamento antibiótico, a taxa de mortalidade desta infeção permanece elevada, entre 5 e 15%, e as sequelas permanentes, como surdez e alterações do desenvolvimento psicomotor, ocorrem em cerca de 25% dos sobreviventes.

Diferentes estirpes de meningite

Dentro das infeções importa distinguir as diferentes estirpes de meningite:

Meningites bacterianas, nas quais as bactérias mais frequentemente envolvidas são a Neisseria meningitidis (meningococo), o Streptococcus pneumoniae (pneumococo) e o Haemophilus influenzae tipo b e que são infeções graves que podem ser fatais;

Meningites virais, as mais comuns e que tendem ser menos graves e que são causadas por vírus como os enterovirus ou o herpes simplex;

Meningites fúngicas, mais raras e que podem ocorrer a partir de inalação de fungos no meio ambiente ou em doentes afetados por diabetes, cancro ou infeção pelo vírus VIH/SIDA;

Meningites causadas por parasitas, importantes nos países menos desenvolvidos.

Quais as causas da meningite?

Embora as causas da meningite sejam diversas, as infeções bacterianas e virais são, de facto, as mais comuns. As meningites bacterianas são, de um modo geral, adquiridas a partir do meio ambiente pelas vias respiratórias e, como tal, são muito contagiosas.

Outras causas possíveis são o trauma com fratura do crânio, a cirurgia cerebral, alguns tipos de cancro, as otites e mastoidites ou o uso de algumas drogas.

O tipo de bactérias que causa meningite varia nos diferentes grupos etários. Os estreptococos e a E. coli são comuns no recém-nascido, nos primeiros 5 anos predomina o Haemophilus influenzae tipo B e nas crianças mais velhas surgem o meningococo e o pneumococo.

No adulto, cerca de 80% das meningites são também causadas pelo meningococo e o pneumococo. Em Portugal, durante a última década, o número de casos de meningite meningocócica foi de 2-3/100000 habitantes.

De um modo geral, nos países desenvolvidos, a Neisseria meningitidis e o Streptococcus pneumoniae são responsáveis por cerca de 95% dos casos de meningite bacteriana.

Em Portugal, o serogrupo C da Neisseria meningitidis, em Portugal é o principal responsável pela doença invasiva. Desde 2006 que a vacina contra esta bactéria faz parte do Programa Nacional de Vacinação.

A meningite provocada pelo Streptococcus pneumoniae encontra-se associada a uma elevada taxa de mortalidade e a sequelas graves. A vacina antipneumocócica está disponível desde 2001 e representa um importante passo no combate a esta doença.

A doença invasiva por Haemophilus influenzae é causada por estirpes pertencentes, na maioria dos casos, ao tipo b. Após o início da vacinação universal a incidência da doença invasiva por este agente sofreu um decréscimo franco.

Como se manifesta a meningite?

Nem sempre é fácil reconhecer os sintomas de uma meningite e, em alguns casos, a doença progride sem quaisquer sintomas.

Nas fases iniciais, os sintomas são semelhantes aos de uma gripe... mas a doença pode evoluir rapidamente e ser fatal em poucas horas.

Inicialmente, a meningite pode manifestar-se por vómitos, náuseas, dores musculares, febre, cefaleias, extremidades frias e erupções cutâneas que persistem sob pressão. Essa erupção começa sob a forma de pequenas manchas e progride assemelhando-se a nódoas negras, o que significa que o sangue passou dos vasos para os tecidos sob a pele.

Uma forma simples de avaliar a importância destas erupções cutâneas é fazendo pressão com um copo de vidro. Se a erupção desaparecer durante a pressão, não está relacionada com meningite. Se persistir é fundamental recorrer a um médico.

Outros sintomas são a rigidez do pescoço, dores articulares, sonolência ou estado confusional (ter um comportamento estranho, confuso, sem se saber onde se está), fotofobia (a luz faz impressão aos olhos), calafrios (arrepios de frio) com extremidades frias e erupção cutânea.

Como se diagnostica a meningite?

O diagnóstico baseia-se na história clínica, no exame médico e alguns exames complementares. O exame mais importante é a punção lombar (ao picar a medula nas costas tem-se acesso ao tal líquido que reveste o cérebro e a medula e consegue-se saber se está infetado e porque agente)

Como se trata a meningite?

O tratamento depende da idade, da gravidade da doença, do agente causal e da presença de outras doenças associadas.

As meningites virais resolvem-se rapidamente sem qualquer tratamento.

Nas meningites bacterianas, o tratamento é fundamental e envolve internamento, antibióticos, medicamentos de suporte para a febre e outros sintomas. Este tipo de meningite pode invadir a corrente sanguínea causando um quadro de infeção generalizada (septicemia). A meningite bacteriana é uma emergência médica!!

Como prevenir?

A prevenção é efetuada através da vacinação. Em Portugal, o Programa Nacional de Vacinação inclui a vacina contra o meningococo C (que é um dos tipos de meningococos que causam a doença) e agora mais recentemente contra o estreptococos pneumoniae (mas ainda só é gratuita para os bebes). Há pouco tempo surgiu uma nova vacina, contra o meningococo B, que causa cerca de 40% das meningites meningocócicas. Fala com o teu médico para perceber se já estás vacinado!! Chama-se Bexsero e a maioria dos adolescentes em Portugal ainda não se vacinaram.

Não precisas de tomar antibióticos por conheceres alguém com meningite, mas terás que os tomar se viveres com essa pessoa. Se isso acontecer na tua escola, também não precisas de tomar, a menos que haja um verdadeiro surto. É pouco provável que te seja transmitida, mas, se estás preocupado, deves falar com o teu médico.