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DIVÓRCIO

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A forma como as pessoas se relacionam umas com as outras vai mudando com o tempo e é até diferente de um dia para o outro. Há dias em que és mais simpático, outros em que és mais antipático, como já deves ter reparado caso tenhas um irmão ou uma irmã. Há alturas em que são os melhores amigos, outros em que parecem os piores inimigos. É a vida! Mas a vida nem sempre é um conto de fadas e na vida real os nossos pais, muitas vezes, não continuam a ser os melhores amigos um do outro para sempre. Mas isso não é necessariamente mau...eis o que o Miguel, de 14 anos, tem a dizer sobre o assunto:

“ Eu tinha 13 anos quando os meus pais se separaram. Não me lembro de ter ficado muito triste com isso. Agora eles parecem bastante felizes, mas antes de se separarem lembro-me que estavam sempre a discutir. Hoje em dia dão-se muito melhor um com o outro e não estão sempre zangados como antes.”

O amor que os pais têm um pelo outro é muito diferente daquele que sentem em relação aos filhos: o facto de eles começarem a discutir constantemente não quer dizer que deixaram de gostar dos filhos.

Achas que os teus pais se vão separar?

Se achas que os teus pais se vão separar ou divorciar, lê estas sugestões:

O que quer que se esteja a passar entre os teus pais não é culpa tua, mesmo que tu tenhas vindo a ter discussões com eles (é absolutamente normal que os adolescentes discutam com os pais de vez em quando). A Joana, de 15 anos, sentiu o seguinte durante esse processo: “Nunca mais me vou esquecer do dia, há um ano, em que os meus pais me vieram dizer que se iam divorciar. A minha mãe diz que eu desatei a chorar e a gritar, como se alguém me estivesse a magoar, mas só reagi assim porque fiquei mesmo zangada. Desde então sinto-me muito revoltada com o mundo e a vida, porque não consigo deixar de pensar que a culpa dos meus pais se terem separado é minha.”

- Não tentes fazer tu de pai ou mãe dos teus pais! Eles é que são os pais, são adultos e não devem “descarregar” os seus problemas emocionais para cima de ti. Eis o que Pedro, de 16 anos, sentia: “O ano passado os meus pais decidiram finalmente separar-se, depois do que pareceu uma guerra sem fim de discussões e silêncio. Mas eles nunca falaram comigo sobre o assunto, nem nunca me perguntaram o que eu estava a sentir. Eu gostava que eles tivessem falado comigo, e ouvido o que eu estava a sentir. Só queria que se tivessem sentado para falar comigo. Por isso, a maioria das vezes sinto-me zangado com eles e só me apetece gritar-lhes para lhes dizer que não estou bem, que quero que me ouçam, que falem comigo, mas não o faço porque não os quero chatear.”

Cerca de 50% dos casais divorcia-se, portanto não estás sozinho – se não acreditas, experimenta falar com os teus amigos! A Teresa, de 11 anos, disse: “Nem percebo como é que eles se chegaram a casar. Os meus pais davam-se tão mal! A relação dos meus pais não era muito boa, mas agora parecem ser mais amigos. Mas a maioria dos meus amigos tem pais divorciados, e parece que muitos deles têm pais que ainda se dão pior que os meus!”

- É natural continuares, como antes, a gostar dos teus pais ou a chateares-te com eles. O João, de 9 anos, disse-nos o seguinte: “não sei como me hei de comportar agora, porque mudou tudo e acho que se fizer alguma coisa mal eles vão discutir ainda mais.”

- Se tens irmãos, fala com eles sobre o que está a acontecer. A Teresa, de 11 anos também nos disse isto: “É engraçado, eu e o meu irmão conhecemo-nos muito melhor um ao outro do que os meus pais. Por isso defendemo-nos e se não nos tivéssemos, um ao outro, acho que já tínhamos ficado maluquinhos com tanta confusão.

- O que tu pensas sobre o casamento dos teus pais é diferente do que os teus pais pensam sobre o seu próprio casamento. O André, com 14 anos, disse: “não percebo para que é que os meus pais se casaram e me tiveram, se no final não iam cuidar de mim juntos. Não me parece justo, mas não há nada que eu possa fazer quanto a isto...”

- Não deixes que os teus pais te façam tomar partido de um ou de outro. É natural que continues a gostar dos dois como antes e é normal que lhes digas isso. A Sara de 12 anos não deixou que lhe fizessem isso: “O meu pai estava sempre a dizer mal da minha mãe e a dizer que a culpa era toda dela porque ela o chateava o tempo todo. Mas eu não ouvia nem metade do que ele dizia. E também, porque é que eles não pensavam em mim em vez de só pensarem neles? Isso é que eu gostava de saber!”

- Não sintas que tens obrigação de agradar a todos (ao teu pai e à tua mãe). Não é por os teus pais estarem divorciados que tu tens que passar a pensar mais no que eles precisam do que naquilo que tu precisas. E também não tens obrigação de te dar bem com a tua madrasta ou com o teu padrasto – mas, na verdade, se te deres bem com eles as coisas tornam-se bem mais fáceis. A Rita, de 16 anos, disse: “Eu visitava o meu pai na casa nova dele e da família nova dele. A casa era um luxo. Eu tinha muita raiva e ciúmes em relação à minha madrasta e ao meu pai por ele prestar tanta atenção e ter tantos cuidados em relação à família nova dele”.

- Ajuda muito ter alguém com quem falar sobre o que estás a sentir e a pensar – procura alguém em quem confies. O Matias, de 9 anos, tem a sorte de ter uma avó a quem pode contar tudo: “Posso dizer tudo à minha avó! E às vezes digo-lhe mesmo coisas muito más sobre os meus pais e de como os detesto por estarem sempre a berrar um com o outro. Ela ouve-me e tenta explicar-me as coisas para que eu entenda melhor o que se está a passar.